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domingo, 17 de janeiro de 2010

A IDENTIDADE DO PROFESSOR E OS PARADIGMAS DA PÓS-MODERNIDADE

A Educação tem carecido de nova significação por parte das escolas, com a urgente modernização dos seus Projetos Político-Pedagógicos; pelos governantes, com políticas educacionais efetivas e pela sociedade, na valorização dos profissionais, mas também necessita de um novo olhar de seus principais agentes de transformação: os docentes. Ensinar nos tempos atuais deixou de ser tarefa exclusiva dos professores. A todo instante conhecimentos são socializados mundialmente pela Web e configura-se, hoje em dia, uma nova modalidade de ensino: a Educação a Distância. Este modelo traz a possibilidade da autogestão da aprendizagem na formação profissional, sob forma de tutoria, o que põe em xeque a própria imagem e a função do professor na sociedade. Essa nova maneira de viver e os conceitos do homem moderno, acabam forçando mudanças na postura dos profissionais da Educação, e a busca de uma nova identidade em que devem posicionar-se de acordo os paradigmas do terceiro milênio.
Não se pode efetivar uma educação dinâmica e de resultados positivos para a sociedade, e que vise o desenvolvimento do país, se ainda estamos pautados em velhos modelos ultrapassados. Não há mais como negar que a educação que se dá no interior das instituições públicas ainda está muito presa às antigas metodologias de atuação docente e que se tornam inócuas para as demandas da sociedade atual. Deste modo, os professores, precisam se adequar a essas novas exigências que o panorama da pós-modernidade impõe como imperativo categórico para a sociedade da informação e do conhecimento. As escolas, em pleno século XXI, “tentam educar com professores formados em procedimentos educativos do século XX” (Imbernón). Conquanto haja uma crise educacional no Brasil, os professores acabam se tornando os principais alvos, pois são cobrados pelos fracassos educacionais e estão cada vez mais desorientados quanto ao seu papel numa sociedade que está em constante transformação. Ser professor no Brasil é, a pesar dos fracos investimentos na educação como prioridade de política Estado e, a despeito das dificuldades que envolvem essa profissão, ter que se esforçar por desenvolver a atividade docente com a mínima competência que a formação lhe proporciona, num momento histórico em que cada vez mais se exige o domínio de variados saberes e o melhor preparo profissional. É necessário, então, que nos tempos atuais, a formação profissional se baseie em uma nova epistemologia: a “epistemologia da prática”, que se define como o estudo do conjunto de saberes em seu espaço de trabalho cotidiano, para o desempenho de todas as suas tarefas (Tardif). Destarte, a formação do professor, de acordo com a “epistemologia da prática, contribuiria para dar novo significado também à escola e à profissão docente” (Nóvoa). Sendo assim, o professor necessita reorientar-se em sua profissão, estar apto a utilizar novas tecnologias na atividade cotidiana, precisa buscar inovação nas formas de ensinar tendo em vista os quatro pilares estabelecidos para Educação mundial, pala UNESCO: aprender a ser, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a aprender, pois a contemporaneidade impõe renovada postura diante do conhecimento. Ser professor, hoje, é ser aberto ao novo e ser, além de educador, um empreendedor, capaz de alavancar sonhos, fomentar a autonomia num momento em que cada vez mais se busca aprender, mas que também se tem a impressão de que não se conhece o suficiente, o que se torna uma das angústias para os educadores, atualmente. Por isso, nessa procura de sua identidade profissional, estes devem identificar-se na condição de sujeitos primordiais para se efetivar as mudanças tão almejadas para a sociedade. Em que todos se reconheçam como seres humanos e, portanto, exerçam realmente direitos iguais na cidadania e na mobilidade social.
Portanto, torna-se precípuo, além de mais investimentos na Educação e reconhecimento profissional, a formação continuada do quadro docente, a fim de que possam também interagir com renovadas formas de acesso e produção de conhecimento. Os professores necessitam acompanhar essa possibilidade trazida pela era moderna e pela globalização: as novas tecnologias da informação e da comunicação, a internet, os novos espaços de autoria (Blogs, Twiter...). Utilizar essas ferramentas para compartilhar idéias e projetos ou no suporte didático permite otimizar os tempos escolares, assegurando aos docentes e discentes configurar diferentes modos de ampliarem seus conhecimentos, possibilitando a mais variadas formas de interação, expressão, construção e reconstrução do saber científico, ressignificando suas interfaces com o mundo. Assim, o professor poderá adequar-se aos paradigmas do terceiro milênio formando não somente competências para o mercado de trabalho, mas o que é exigido aos homens e mulheres atuais: um modo novo de colocar-se frente à “sociedade da aprendizagem” na perspectiva do ser humano e da ecossolidariedade. Enfim, acompanhar as mudanças dos tempos atuais na efetivação de uma Educação de qualidade seja no setor público ou privado, com atitude moderna ao se relacionar numa sociedade cada vez mais dinâmica e complexa, é função primordial do professor, para que haja compreensão dos novos perfis profissionais traçados pela sociedade contemporânea.

* Sandra L. Amoras Collares: acadêmica do curso de Pós-graduação em Ciência da Educação pela EAP-FAAT, Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal do Amapá, acadêmica do curso de Letras-UFPA e professora da rede pública do Estado do Amapá.
**Artigo publicado no Jornal do Dia, em 17/01/2010

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